Juniperus
Juniperus L. é um gênero de coníferas pertencente à família Cupressaceae, que inclui 50-67 espécies (em função da estruturação taxonômica adotada) de arbustos procumbentes, arbustos e árvores de médio porte, caracterizados por apresentarem tronco robusto, madeira duradoura e, em geral, excepcional longevidade. O gênero tem uma distribuição natural alargada pelo Hemisfério Norte, desde as costas do Ártico até à região tropical da África e às regiões montanhosas da América Central. O gênero apresenta a sua máxima diversidade nas regiões de clima mediterrânico. As espécies integradas neste gênero são conhecidas pelos nomes comuns de zimbro, zimbreiro, junípero e sabina.

Descrição
As espécies integradas no gênero Juniperus variam entre árvores com 20–40 metros de altura e arbustos colunares ou procumbentes, alguns assumindo uma forma rastejante com longos ramos apoiados no solo.
Todas as espécies são de folhagem perene, com folhas aciformes (em forma de agulha) ou escamiformes (em forma de escama), sendo comum a presença de folhas juvenis aciformes nos ramos jovens e folhas escamiformes nos ramos adultos. O gênero inclui espécies monoicas e dioicas.
Os cones femininos apresentam características muito próprias, com escamas carnudas coalescentes que se fundem para formar um gálbulo, uma estrutura semelhante a um "fruto" do tipo baga, com 4–27 milímetros de raio contendo 1-12 sementes com tegumento escuro e endurecido, desprovidas de asas ou quaisquer outras adaptações à anemocoria. Em algumas espécies, as falsas bagas, quando maduras, são vermelho-acastanhadas ou alaranjadas, mas, na maioria, são negras ou azuladas. A estrutura carnuda, conhecida por "baga de zimbro", é, geralmente, aromática e com um sabor fortemente adstringente a pinho, sendo, por isso, utilizada como especiaria em culinária e como aromatizante e corante na confecção de bebidas destiladas.
Os cones masculinos são similares aos das restantes Cupressaceae, com 6-20 escamas. A produção de pólen é abundante, sendo o transporte essencialmente por dispersão anemófila.
A maioria das espécies floresce durante a primavera, mas em algumas a polinização ocorre no outono. A maturação da semente, em função da espécie, ocorre 6–18 meses após a polinização.
Muitas espécies de Juniperus, entre as quais J. chinensis e J. virginiana, apresentam dimorfismo foliar, com dois tipos morfológicos de folhas bem distintos: (1) as plantas jovens e alguns ramos juvenis apresentam folhas aciculares (em forma de agulha) com 5–25 milímetros de comprimento; e (2) as folhas nas plantas maduras são maioritariamente pequenas escamas, com 2–4 milímetros de comprimento, imbricadas e fortemente aderentes aos caules. Nestas espécies, quando a folhagem do tipo juvenil ocorre em plantas adultas, em geral instala-se em rebentos jovens situados em partes ensombradas da planta, com a folhagem adulta presente nas partes com melhor insolação. As folhas em rebentos de crescimento rápido apresentam por vezes características intermédias entre as folhagens juvenil e adulta.
Em algumas espécies, como J. communis e J. squamata, a folhagem retém as características juvenis, sendo totalmente aciforme. Em algumas destas espécies, entre as quais J. communis, as agulhas são agrupadas na base, geralmente em tripletos, enquanto em outras, como J. squamata, as agulhas fundem-se gradualmente com o caule sem que ocorra a junção entre elas.
As folhas aciformes dos Juniperus são, em geral, aguçadas e endurecidas, o que torna o manuseio da folhagem juvenil difícil. Esta característica fornece uma forma valiosa de identificação das plântulas deste gênero, particularmente quando é necessário distingui-las de espécies de gêneros com características foliares similares, como Cupressus e Chamaecyparis, que, apesar da semelhança morfológica, apresentam folhas macias.
A folhagem de Juniperus é o alimento exclusivo das larvas de alguns Lepidoptera, incluindo espécies como Bucculatrix inusitata e Thera juniperata. Constitui também alimento facultativo para outras larvas de lepidópteros como Chionodes electella, Chionodes viduella, Eupithecia pusillata e Panolis flammea. As larvas de algumas espécies, entre as quais a traça Cydia duplicana, alimentam-se do ritidoma em torno de áreas que sofreram danos mecânicos ou antracnose.



